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O trágico fim do mais belo conto de fadas – Força Chape

O trágico fim do mais belo conto de fadas da história do futebol brasileiro.

Um pesadelo. Talvez essa seja a palavra mais apropriada para descrever o sentimento do povo brasileiro ao acordar com a trágica notícia de que o avião que levava os heróis da Chapecoense rumo a Medellín – onde disputariam a final da Copa Sul-Americana com o Atlético Nacional – havia caído a poucos quilômetros da cidade colombiana. O acidente, que aconteceu na madrugada desta terça-feira, acabou matando 71 das 77 pessoas a bordo do voo. Dos 22 jogadores do elenco da Chapecoense, 19 morreram. O goleiro Danilo, talvez o maior símbolo deste grande grupo de jogadores, chegou a ser levado com vida para o hospital pelo corpo de resgate, mas não resistiu aos ferimentos. O técnico Caio Júnior também nos deixou.

A sensação é de vazio deixado por um time que, pouco a pouco, acabou conquistando o coração de milhares de brasileiros. Nesta edição da Copa Sul-Americana, a pequena e simpática Chapecoense ganhou o caridoso apelido de “Chapeterror”, fazendo história ao eliminar gigantes do futebol sul-americano, como os argentinos Independiente e San Lorenzo.

Fundada em 1973, a Chapecoense passou décadas sem muito destaque no cenário do futebol nacional. Tudo começou a mudar em 2009. Naquele ano, a equipe catarinense, que até então disputava a Série D, equivalente à quarta divisão do futebol brasileiro, começou a sua escalada ao se classificar para a Série C. Daí em diante, a Chape não parou de subir. No ano seguinte já estava na Série B e após mais um ano, conseguia, pela primeira vez em sua história, subir para a elite do futebol nacional.

Desde que subiu para a Série A, a Chape não caiu mais. Sempre com campanhas honrosas, a Chapecoense se atreveu a sonhar mais alto neste ano. Classificada para a Copa Sul-Americana, a equipe brasileira era apontada por muitos como uma zebra e pouquíssimos imaginavam que a equipe alviverde pudesse fazer uma campanha de impacto no cenário internacional.

Sempre guerreira, a Chapecoense provou a todos que poderia sim surpreender. A histórica campanha da Chapecoense na Copa Sul-Americana de 2016 foi, desde o início, recheada de emoção. A equipe estreou na segunda fase, contra o Cuiabá. Após perder a partida de ida por 1 a 0, a Chapeterror fez valer o mando de campo e com um 3 a 1 na Arena Condá, se garantiu nas oitavas.

Na fase internacional do torneio, a Chape teve pela frente o gigante Independiente, da Argentina, heptacampeão da Copa Libertadores. Após dois empates sem gols, Danilo começava a mostrar sinais de heroísmo. Nos pênaltis, o eterno goleiro da Chape brilhou demais, defendendo impressionantes quatro cobranças.

Nas quartas de final, a Chape mostrou, pela terceira vez seguida, que tinha poder de superação de sobra. Após ser derrotada por 1 a 0 pelo Junior de Barranquilla, na Colômbia, os nossos guerreiros aplicaram um espetacular 3 a 0 na Arena Condá, passando assim para as semifinais.

O histórico confronto com o San Lorenzo, pelas semifinais da Copa Libertadores, foi de novo de tirar o fôlego. Após empatar por 1 a 1 em Buenos Aires, a Chape fez história ao segurar o San Lorenzo na Arena Condá, garantindo pela primeira vez em sua história, uma vaga na final de um torneio continental.

Quis o destino, no entanto, que o conto de fadas da Chapecoense fosse interrompido da maneira mais cruel imaginável. Leonardo Bertozzi, comentarista da ESPN Brasil, simplificou de maneira genial, talvez o mais sincero sentimento que temos para os 19 guerreiros que perdemos nesta terrível noite.

– Talvez fosse maravilhosa demais essa equipe para envelhecer. Talvez o destino quisesse levá-lo no ápice de sua beleza. – sintetizou o jornalista.

Afinal, alguém duvida que essa guerreira Chapecoense, pudesse surpreender o todo poderoso Atlético Nacional em Medellín? Eu com certeza não duvido. A final, que jamais acontecerá, existe apenas em nossas imaginações.

Nem o tempo poderá amenizar a dor que sente no peito todo amante de futebol espalhado pelo mundo no decorrer da maior tragédia da história do esporte mais querido do planeta. A única certeza é que a memória dos guerreiros que perdemos neste 29 de novembro viverá para sempre dentro de todos nós.

Com a autorização do Atlético Nacional, que oficializou à Conmebol o pedido para que a Chapecoense fosse declarada a campeã do torneio, me despido da histórica Chapecoense de 2016 com a seguinte mensagem: Obrigado campeões! Heróis jamais serão esquecidos.

O trágico fim do mais belo conto de fadas – Força Chape
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